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Ayrson Heráclito- SP Arte

Abertura
08 de abril de 2026

Horário
12h

Exposição
08 de abril a 12 de abril

Na exposição “SP Arte 2026″, o artista Ayrson Heráclito traz Oríkì visual ou arte-amuleto como uma composição equilibrada em ritmos repetidos, teses e antíteses, aliterações e assonâncias, que servem como suporte mnemônico.

A mostra será no dia 08 de abril à 12 de abril, no Stand C02 Pavilhão da Bienal- Parque Ibirapuera Portão 3.

 

Ayrson Heráclito vive entre Cachoeira e Salvador (Bahia). Doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é ogã da nação Jeje-Mahi, artista, curador e professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Sua obra circula nas mais prestigiosas mostras, nacionais e internacionais, tendo participado da 35ª Bienal
de São Paulo, 57ª Biennale di Venezia, III Bienal do Mercosul (Porto Alegre), II Trienal de Luanda (Angola). Integra coleções de instituições, públicas e privadas, entre elas: Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), em Salvador; Museu de Arte do Rio (MAR), no Rio de Janeiro; Videobrasil, em São Paulo; acervo do Banco Itaú; Instituto Inhotim Brumadinho; Solomon R. Guggenheim Museum, em Nova York, Estados Unidos; Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri, Espanha; e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, Espanha… Entre os destaques recentes, Heráclito fez parte da equipe do projeto “Terra”, dedicado aos povos indígenas e afro-brasileiros, que ganhou o Leão de Ouro da 8ª Bienal de Arquitetura de Veneza (2023). Realizou a exposição Yorùbáiano de 2020 a 2022 no MAR e na Pinacoteca de São Paulo; foi artista participante da 35ª Bienal de São Paulo, Coreografias do Impossível; e participação confirmada na 61ª Bienal de Veneza, intitulada In Minor Keys (Em Tons Menores) sob a curadoria da falecida Koyo Kouoh.

Oríkì é um gênero poético da oralitura iorubá. No plano formal, eles possuem uma composição equilibrada em ritmos repetidos, teses e antíteses, aliterações e assonâncias, que servem como suporte mnemônico. Os oríkì também possuem características bastante específicas do ponto de vista dos seus diversos usos e papéis. O ori (cabeça) e o ki (saudar) evocam jogos verbais ambíguos, geralmente associados ao plano mágico e encantado. No sistema mítico e filosófico africano, os oríkì estabelecem conexões com a ordem do mundo e mobilizam as forças elementares da natureza. Nesse gênero literário, a palavra não tem somente a função de comunicar ou representar. Ela também tem a capacidade de intervir no real, mediar a relação com o divino, apaziguar os mistérios do mundo. A palavra é força. Poder. O oríkì visual é uma ideia formulada a partir do poder encantatório da poesia. Ele se constitui como um elemento que emana energia própria pela sua visualidade. Como objeto, ele tensiona os limites do sagrado, derivando um vigor incomum, como amuleto, que protege as pessoas de infortúnios. A recepção dos oríkì-amuletos aciona e potencializa transmutações profundas, tornando-os fortes tecnologias de cuidados e de curas. No candomblé, juntó é uma junção de dois orixás – um principal, outro complementar – que regem a vida dos indivíduos. Nas minhas esculturas, realizo essa junção me utilizando de símbolos e objetos relacionados às divindades, permitindo assim uma ampla combinação aritmética dos dezesseis principais orixás cultuados no Brasil.

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