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Lúcia Glaz

Opening
21 de September de 2023

Schedule
19h

Exhibition
22 de September a 21 de October

Constructive Freedom
Antonio Gonçalves Filho

Even though they’re from another generation, the paintings of Lúcia Glaz (1961) maintains a
proximity with the masters from other schools that preceded her art initiation in the 80’s,
allowing us to mention at least two names that can be identified: the French François
Morellet (1926-2016), whose work in the 50’s, foreshadows the minimalism, and the
Brazilian constructivist Milton Dacosta (1915-1988).

At her first solo exhibition at Paulo Darzé Galeria, Lúcia Glaz pays tribute to Morellet and
Dacosta, presenting a new series of paintings that evoke such the structure of the square
shape, remarkable in the French’s career from 1953 and beyond, along with the
constructions with the referred geometric figure painted by Dacosta in the same period (and
his compositions elaborated between 1957 and 1958 that justify this comparision).

If the first Morellet’s structures with the square (1953) divided the surface of the canvas in
sixteen equal parts, replicating an Mondrian’s typical planning, Milton Dacosta used the
square in a close register to the synthetics construction of Morandi (without Mondrian’s
formal purity. Between both, Lúcia Glaz discovers a solution that doesn’t abandon the
abstract rationalism, but amplifies the vocabulary).

It’s about an investigation that walks towards the way Albers did his research about the color
expansion. An affinity, more than an influence. There’s a graphic project in the paintings of
this exhibition which, even though it’s reverent to the orthogonality, it subverses this order to
state the commitment with the lyrical nature of the square’s figure’s movement, a shape
created by man, of which, by the way, aspires to be perfect.

Painted over the earthy surface on the canvas of Lúcia Glaz, this form, though, resists
Mondrian’s serialist rationalization to suggest a ludic game with the spectator. The geometric
abstraction does not exterminate the poetry of this random data movement that plays with
Morellet’s cinetic adventure without confronting the adhesion to Sobrino and Julio Le Parc
crew, in 1958.

Lúcia Glaz’s forms of expression don’t pass by the adhesion of any movement. Before
integrating to the methods, she prefers to surrender voluntarily to instability suggested by the
physical perception of the square shape as a non-physical entity that fills the space,
something like the squares transformed by the neon lines in Morellet’s paintings.

Subjective decisions are the ones who resist a mechanical execution and reveal the
virtuosity of Lúcia Glaz as a renewer of the constructive language that marked Brazilian art.
She adds Paul Klee’s intimacy in a monochromatic register, sober and next to the concrete
things of the world. A necessary balance in a disordered world.

About Lúcia Glaz

Lúcia Glaz was born in Santos, São Paulo coastline in 1961. A painter since a young age, she took part in many exhibitions. Among them, the collective one “Razão concreta” with painters such as Volpi, Rubem Valentim, Judith Lauand and others, at Berenice Arvani Gallery, São Paulo, in April 2016.

The following year she participated in the SP Arte 2017 and in september of the same year at a individual exhibition at the Berenice Arvani Gallery, curated by Pedro Mastrobuono, “A beleza é metafísica na pintura de Lúcia Glaz”.

She joined Pinta Miami Art Fair in December 2017.

In September 2018 she had another individual exhibition, this time in Rio de Janeiro at Almacén Thebaldi Gallery,” O diálogo da cor”.

She joined PARTE Feira contemporary art fair 2018.

She also participated the collective exhibition “Modernos Eternos” at Mosteiro de São Bento, São Paulo, in August 2019.

In november 2019 she was part of the Projeto Felicidade – Clube Hebraica;

She had an individual exhibition at Pinacoteca Benedicto Calixto, also in november 2019,” A Pintura como processo”;

She joined the online art fair Arte Viewing Room with Berenice Arvani Gallery in August 2020 “A geometria como forma de expressão “; She was part of ExpoSevivon Beit-Chabat in December 2020.

Lúcia Glaz / entrevista a Claudius Portugal

Esta é a primeira vez que expõe na Bahia, e nesta sua mostra, com data de início no dia 21 de setembro de 2023, uma individual na Galeria Paulo Darzé, segundo Antonio Gonçalves Filho, na apresentação que do catálogo, “presta um tributo a Morellet e a Dacosta, exibindo uma nova série de pinturas que evocam tanto a estrutura como a figura do quadrado, marcantes na carreira do francês de 1953 em diante, como as construções com a referida figura geométrica pintada por Dacosta no mesmo período (e suas composições elaboradas entre 1957 e 1958 justificam essa comparação)”.

Professora de geografia, sem estudo formal nas artes visuais, para além de cursos livres, Lúcia vinha levando a pintura como diletante desde a adolescência. Sob a inspiração de sua paisagem natal, pintou marinhas quando mais jovem. Nos últimos anos, com a iminência da aposentadoria, depois de 25 anos de serviços prestados em escolas, os três filhos já adultos, passou a se dedicar mais à arte.

Lúcia Glaz nasceu em Santos/São Paulo, em 1961, e faz sua inserção em mostras no circuito de arte como pintora ao realizar sua estreia aos 55 anos, já estando há mais de uma década tendo uma atuação, com uma mostra apresentando 28 trabalhos, curadoria de Pedro Mastrobuono, que escreve o catálogo, texto com o título “A Beleza é Metafísica na Pintura de Lúcia Glaz”.

“A pintura de Lúcia é puramente íntima e emocional, em primeira instância, mas em um segundo olhar, revela-se desdobramentos de tradições neoplásticas. A complexa questão da estrutura e de sua busca nas artes plásticas, e sua ligação com o sentido metafísico da arte está na própria definição do que seja ‘metafísica’: é a estrutura da realidade universal, que desce desde o primeiro princípio, infinito e eterno, até seus inumeráveis reflexos no mundo manifestado, através de uma série de níveis ou planos de existência”.

Segundo Antonio Gonçalves Filho, no texto sobre a mostra na Paulo Darzé Galeria, “pode citar pelo menos dois nomes com os quais se identifica: o francês François Morellet (1926-2016), cuja obra, nos anos 1950, prefigura o minimalismo, e o construtivista brasileiro Milton Dacosta (1915-1988). “Há um projeto gráfico nas pinturas desta exposição que, embora reverente à ortogonalidade, subverte essa ordem para afirmar seu compromisso com a natureza lírica do movimento da figura do quadrado, forma criada pelo homem que, aliás, quer ser perfeita”.

1) Discorra especificamente sobre esta mostra na Paulo Darzé Galeria e como ela se insere na trajetória de alguém que gosta de sentir o quadro em silêncio, e que só assim consegue absorver sua vibração?

Os trabalhos da mostra propõem uma reflexão sobre a diversidade cromática e a expansão da linha, embate que resulta na construção de um trabalho que é ao mesmo tempo obra gráfica e pintura. O silêncio se faz necessário para que a vibração venha por meio da cor e movimento, como se a pintura se transformasse numa partitura. Quanto à natureza lírica da figura do quadrado, linhas retas e soltas se expandem procurando a forma, como uma dança.

2) Seguindo sua trajetória, não em ordem cronológica, mas pelo título das mostras, vamos ter “A geometria como forma de expressão”. Queria começar por ela, pois olhando a sua biografia temos “O diálogo da cor” e uma primeira mostra em “Razão concreta”, ao lado de pintores como Volpi, Rubem Valentim. Dá para discorrer sobre a escolha da geometria e do neoconcretismo como fundamentais para criação de sua obra?

A geometria é a base para realização dessas pinturas. Recorro aos princípios do Manifesto Neoconcreto para pintar com mais liberdade, sem abrir mão de um projeto subjetivo de construção da forma por meio da cor.

3) É dito em apreciações sobre sua obra que ela traz uma “plasticidade cromática, de cores profundas, que sinalizam uma terceira dimensão, e conduz o espectador à interiorização, por conseguinte, à reflexão”. Apoiada na ideia de plasticidade cromática, há a afirmação de que suas séries de pinturas remetem ao silêncio. Está de acordo com o desenrolar desta afirmação e da sua conclusão?

Acredito que por serem pinturas que sinalizam uma terceira dimensão, o olhar precisa estar atento de maneira silenciosa. Embora paradoxalmente trabalhe ouvindo música porque ela me inspira, quando observo a obra já terminada, necessito de silêncio para que a visualização faça seu papel, despertar o que provoca.

4) Nas palavras de Pedro Mastrobuono, a sua pintura é puramente íntima e emocional, em primeira instância, mas em um segundo olhar, revela-se desdobramentos de tradições neoplásticas. E acrescenta: “A complexa questão da estrutura e de sua busca nas artes plásticas, e sua ligação com o sentido metafísico da arte está na própria definição do que seja ‘metafísica’: é a estrutura da realidade universal, que desce desde o primeiro princípio, infinito e eterno, até seus inumeráveis reflexos no mundo manifestado, através de uma série de níveis ou planos de existência”. Como reage a afirmações como essa sobre sua obra?

Entre a razão e a emoção existe o equilíbrio. O comprometimento requer trabalho, energia, estudo. Ao pintar me transporto para outro plano e considero novas possibilidades de criação. Pedro Mastrobuono soube captar com sensibilidade ao ver meu primeiro trabalho na coletiva importante que foi “Razão Concreta”. Foi além de um simples olhar na tela. Ele entrou em sintonia com a obra.

5) Sua obra traz um apelo emocional da cor. Mostra em suas pinturas um desejo de explorar novos fenômenos perceptivos, considerando o potencial expressivo da cor em sua interação com a forma, a ver a pintura como objeto, e não ilusão, perseguindo uma redução purista ao restringir ao essencial suas experiências na tela. Como se dá a percepção visual e como se desenvolve a sensibilidade de ver de forma concreta as cores?

Como a percepção é imediata e anterior à racionalização, minha meta é chegar ao espectador por essa via. Tenho fascínio pelo desenvolvimento da cor, de como ela me conduz à construção da forma. A combinação da cor, da linha, do plano, tudo em harmonia. É motivador por exemplo, o azul poder ter tantos azuis.

6) As possibilidades da cor norteando forma e conteúdo para se chegar a novos tons. Com isso enfatiza qualidades formais e a bidimensionalidade do plano pictórico e nem por isso aboliu do mundo a expressão. Disto origina suas palavras de ter sobre sua relação com a herança concreta mais identificação com os neoconcretos, “mais flexíveis com relação à cor”?

Embora a herança concreta tenha sido marcante em minha pintura, sempre estive aberta a novas experiências, mas ancorada na liberdade que o uso das cores me possibilita.

7) Linhas verticais e horizontais quebram qualquer rigidez geométrica, por sua vibração cromática e o contraste das cores. “Trabalho com acrílica há 20 anos. Não escolho só uma cor e não fico programando se será uma tela azul ou vermelha. Faço junção de cores, e vão surgindo outras. Não fico muito preocupada com a forma. É esse o meu prazer, não faço rascunhos, e sim o que sinto vontade na hora. Meu instrumento de trabalho são as tintas. As cores dão a própria estrutura da tela e as linhas surgem no decorrer do processo”. Esta sua explicação continua tendo validade como um dos caminhos para percepção de sua obra?

Sim, continua. Talvez porque a própria vibração que causa, afeta a rigidez. As linhas surgem no decorrer do processo. A cor é a primeira escolha para a iniciação. A linha se expande no universo dela.

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