Roda de Conversa / Orixás – Entre Bahia e África

Desde 2017 a Paulo Darzé Galeria vem promovendo quando do encerramento das mostras uma Roda de Conversa.  Com a exposição Entre Bahia e África, apresentando 55 fotos de Pierre Verger não será diferente.

Dia 18 de agosto de 2018, sábado, às 11 horas, em sua sede, Rua Chrysippo de Aguiar 8, Corredor da Vitória, será realizada uma nova rodada tendo como tema Orixás – Entre Bahia e África, enfocando a fotografia como registro religioso, histórico, antropológico, com a participação de Alex Baradel, Tacum Lecy, Adenor Gondim, Carlos Barros, e mediação de Thais Darzé.

Debatedores

Alex Baradel – Pesquisador em artes visuais. Ccurador do acervo fotográfico da Fundação Pierre Verger.

Tacun Lecy – Fotógrafo. Desenvolve pesquisa e documentação fotográfica sobre as culturas afro-brasileiras, sendo os Candomblés Jeje-Nagô do Recôncavo Baiano e as Comunidades Remanescentes de Quilombos os seus principais enfoques. Iniciado no candomblé exerce o cargo de Axogum (Sacerdote responsável pela consagração de animais aos Orixás) do Terreiro Raiz de Ayrá.

Adenor Gondim – Fotógrafo. Com um vasto trabalho, especialmente as manifestações culturais do povo baiano, possui neste um foco na cidade de Cachoeira, Bahia, centrando-se nas manifestações festivo-religiosas ligadas à Irmandade Nossa Senhora da Boa Morte. Participou da exposição Negras memórias, memórias de negros, SESI-SP, e expôs no Ashmolean Museum of Art and Archaeology, em Oxford (Inglaterra). Integra o acervo de longa duração do Museu Afro Brasil (São Paulo).

Carlos Barros – Graduado em História e Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia. Iniciado no Candomblé para Oxóssi e Oficodé do Ilê Axé Odé Ye Ye Ibomin. É cantor e pesquisador.

Thais Darzé – Diretora e curadora da Paulo Darzé Galeria desde 2006. Mais recentes curadorias de mostras: Mestre Didi – Mokig bogo in, abril de 2018, na Almeida e Dale Galeria, São Paulo/SP; e Pierre Verger – Entre Bahia e África, julho de 2018, Paulo Darzé Galeria,  Salvador/Ba.

30 anos da Fundação Pierre Verger

A comemoração dos 30 anos da Fundação Pierre Verger abarca exposições na Bahia, no Brasil e em outros países. Em julho, dia 17, na Paulo Darzé Galeria será aberta uma mostra tendo como a temática “Orixás”, constando de 55 fotos, mais o relançamento em nova edição do livro OrixásDeuses Iorubás na África e no Novo Mundo, onde Verger retrata os cultos aos deuses Iorubás nos países de origem, como Nigéria, ex-Daomé – atual Benin, e Togo e no Novo Mundo (Brasil e Antilhas), para onde os rituais foram trazidos quando da diáspora negra, durante o tráfico de escravos. A publicação traz 250 fotos e textos destacando as cerimônias, as características de cada orixá, além do descritivo dos arquétipos da personalidade dos devotos dos respectivos orixás. Esta nova edição, traz um prefácio assinado por Mãe Stella de Oxóssi, do Axé Opô Afonjá.

Rascunho automático

Duas matrizes temáticas percorrem os objetos, desenhos e pinturas que Vauluizo Bezerra está trabalhando agora. Uma com a Série chamada “Wladislav e seu Tatuador Núbio” e, outra, com “Tobias, o mensageiro”, personagens criadas a partir de uma da realidade contemporânea do mundo e da história baiana, respectivamente, utilizando de estruturas de narração que não podem ser cobertas exclusivamente pelos meios visuais, se estendendo para territórios discursivos numa mesma superfície onde são engendradas as narrativas e suas descrições.

Percebendo a recorrência de ambos em desenhos, fui insistindo em outros desenhos chegando à criação ficcional de dois personagens como ocorre na literatura. Significa dizer que estou desenvolvendo desenhos com uma estrutura de romance, enriquecendo a história de ambos com particularidades estendidas de tal modo que baralham essas duas realidades distintas: a do desenho e pinturas – com narrativas puramente visuais, e as narrativas “literárias” apoiadas em textos dispostos de variados modos que as técnicas do computador, e fotografia me permitem. 

“Wladislav e Seu Tatuador Núbio” é um personagem que criei a partir de leituras jornalísticas sobre um milionário mafioso russo que tem  um poder acachapante sobre a cultura, inclusive o mercado de arte, de armas, do tráfico de mulheres, drogas, esportes, etc. O cara tem um time de futebol inglês conhecido. Isso é real. Vladislau é curiosamente quase um nome comum no sertão pernambucano onde nasceu meu pai, onde é cheio de agricultores louros de olhos verdes, egressos seguramente da presença holandesa na Missão Nassau. Vladislau virou Wladislav, e acrescentei o Núbio, um negro gigante que alude iconograficamente a estranha relação de Mandrake e Lothar. Lembra? Ou seja, eu misturo tempos e realidades distintas para construir um discurso ou narrativas que vêm desembocar numa abordagem crítica, irônica sobre nossos tempos contemporâneos. Daí é que me apoio em diversos modos de narrações que a arte de hoje nos permite, dispondo numa mesma superfície de variados modos discursivos. O objeto é esse olhar sobre nossos dias, de modo crítico. Para isto uso sempre os recursos tradicionais de pinturas, guaches, aquarelas e até esculturas convivendo com outros modos discricionários. 

Em “Tobias, o Mensageiro” há uma busca para uma reflexão irônica sobre a tendência étnica que em certa medida os artistas e outros criadores tentam imprimir como uma realidade inescapável. É uma ilação visual e que também uso os mesmos recursos de uso da “literatura” como em Wladislav. Tobias é um escravo negro do séc. XVIII, XIX, e é um escravo aparentemente inofensivo, apesar de seu tamanho ameaçador. Mas é um gigante com certa afetação feminina, daí a presumível “inocência” ou inofensividade. Tobias possui um animal mamífero “extinto”, criação iconográfica minha, que atende a noção de bestiário mítico, com uma característica inofensiva como seu dono. Tobias e sua mascote são vegetarianos, e eu uso a licença poética de que as florestas da Ondina, onde reside atualmente o Zoológico, foi semeada por Tobias e seu animal distribuindo sementes por grande área que compreende o Centro Antigo da cidade e as áreas onde jaziam as velhas fazendas que Tobias andava levando mensagens. Mas Tobias era um dissimulado, e era também um sujeito que trazia informações subversivas sobre e para os articuladores de levantes contra os portugueses. Este foi o trabalho que deu origem a “Tobias, o Mensageiro”, ou “Tobias, o Semeador”.

AYRSON HERÁCLITO

Fotografias, vídeos, instalações compõem a mostra Senhor dos caminhos, de Ayrson Heráclito, no Museu de Arte Contemporânea – MAC Niterói, até 29 de julho, com curadoria de Pablo Leon de la Barra e Raphael Fonseca.

A mostra, uma celebração a Ogum, orixá do ferro, percorre as tradições das religiões de matriz africana e de referências ao livro “História do futuro”, do Padre Antonio Vieira.

Muitas das obras expostas foram concebidas quando em 2105 o artista realizou uma residência artística no Senegal, estando na mostra a instalação “Os sacudimentos’, que participou da 57º Bienal de Veneza, em 2017.

FÁBIO MAGALHÃES NA CAIXA CULTURAL BRASILIA

Artista integrante da Paulo Darzé Galeria, Fábio Magalhães está apresentando até 27 de maio, na Caixa Cultural Brasília, a exposição Além do Visível, Aquém do Intangível, que reúne a produção artística mais significativa, desenvolvida entre 2007 e 2017, mostra com 25 trabalhos em óleo sobre tela e grandes formatos, distribuídos em cinco séries – O Grande Corpo, Retratos Íntimos, Superfícies do Intangível, Latências Atrozes e Limites do Introspecto, com curadoria de Alexandra Muñoz.

Nádia Taquary em “Dinka Orixá”

Palhas e búzios da Costa do Marfim, miçangas em vidro da República Tcheca, são os materiais para criação de um universo afro pelo panteão dos deuses africanos, nova série, nomeada Dinka Orixá, com obras em tamanho médio de 50x160cm, que Nádia Taquary vem realizando para exposição no Masp (Museu de Arte de São Paulo).

“Lágrimas” de Vinicius S.A

Um dos mais recentes artistas baianos a ter sua obra representada pela Paulo Darzé Galeria, o artista baiano Vinícius S.A. está com exposição na Caixa Cultural Fortaleza, de 21 de março a 6 de maio de 2018, com a exposição “Lágrimas de São Pedro”,  instalação que anteriormente foi vista em várias cidades – Salvador, Brasília, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Recife, Juiz de Fora, Bauru, Campinas, Itapetininga, Rio Claro, assim como Frankfurt, na Alemanha, e Las Vegas, nos Estados Unidos.

A instalação é composta por cerca de 4 mil “lágrimas” formadas por bulbos de lâmpadas cheios d’água presos por fios de nylon ao teto em diferentes alturas e iluminações específicas. Com este trabalho Vinícius S.A. foi convidado para expor em Frankfurt, Alemanha, em março de 2014. “Proponho nesse trabalho a criação de um ambiente onde o espectador penetra, envolvendo-se espacialmente com a obra, possibilitando a interação entre arte e fruidor de maneira mais abrangente. Neste caso, é como se tivéssemos o poder de pausar a chuva, uma chuva de gotas grandes, limpas, transparentes e leves, e com isso poder contemplar sua beleza, seu poder, seu símbolo, sua necessidade”.

Vinícius Silva de Almeida, nascido em 1983, vive e trabalha em Salvador/Bahia. Graduado em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Seu trabalho “Objeto Óptico #02” recebeu o prêmio de residência artística internacional no 15º Salão da Bahia; a instalação “Sorria, você está sendo filmado!”, foi premiada no Salão Regional de Artes Visuais da Bahia; e “O Pulso da Bienal”, menção especial na VIII Bienal do Recôncavo. Participou de duas residências artísticas – Holanda e Alemanha. Está documentada nos livros “Escultura contemporânea no Brasil”, de Marcelo Campos; “50 anos de arte na Bahia” e “Água, reflexos na arte da Bahia”, de Matilde Mattos; e “30 contemporâneos Brasileiros”, de Enock Sacramento.

Mestre Didi Mostra de esculturas em São Paulo

Deoscoredes M. dos Santos, Mestre Didi, em sua obra como artista visual projeta com sensibilidade, significação artística, minúcia técnica e profundidade estética um universo inspirado livremente na simbologia do sagrado de herança africana. Com 40 trabalhos a Paulo Darzé Galeria realiza a partir do dia 7 de abril, na AD galeria, em São Paulo, uma mostra de esculturas de Mestre Didi.

Descendente da tradicional família Asipa, originária de Ketu, importante cidade do império Yorubá e desde menino convivendo com ações ligadas à preservação e manutenção da religião e da cultura africana na Bahia e no Brasil, Mestre Didi – Deoscoredes M. dos Santos -, escultor e escritor, nasceu em Salvador, Bahia, em 2 de dezembro de 1917, e faleceu na mesma cidade em 6 de outubro de 2013. Seguindo-se sua trajetória, sua obra artística, realizada em diversos materiais, é de intensa significação ao recriar esteticamente um universo inspirado livremente na simbologia do sagrado de uma herança africana, ao possuir a profundidade mística, com singular sensibilidade e intensa técnica, a tradição diante de imensa inovação dentro da contemporaneidade estética da arte.

Indagado sobre seu fazer, Mestre Didi afirmava que a sua arte reflete o seu mundo mítico, a sua maneira de ver o mundo, estando profundamente incorporadas a sua experiência de vida. “As obras surgem desse mundo, a partir de minha própria maneira de ver, viver e associar. Elas se inspiram em algumas das formas tradicionais, emblemas herdados dos mais antigos, que para ter validade religiosa devem ser devidamente consagrados. Minhas obras são livres, multiplicam formas, cores e materiais que não tem propósitos religiosos. Evidenciam e manifesta uma particular visão cultural, uma recriada continuidade. A minha arte me dá muita alegria e faz que eu me sinta muito feliz e realizado. Ela está ligada às coisas que mais gosto na vida, os elementos da natureza”.

As esculturas de Mestre Didi trazem a ancestralidade hoje. “Seus objetos não são apenas representações materiais, mas emblemas essenciais em que o sagrado está representado, a essência mística que simbolizam” como afirma Juana Elbein dos Santos, ou “a magia dessas esculturas está na forma como, visceralmente, Mestre Didi transpõe a energia de interpretação mitológica e inventividade de formas, ritmos e composições, se articulando num espaço negativo e positivo, num desafio de equilíbrio totêmico que se abre no espaço, como árvores plantadas numa base de seção côncava e circular”, no dizer de Emanoel Araújo.

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