Nascida em Brasília, DF, 1992, mas radicada em Salvador, Jess Vieira é uma jovem artista visual e pesquisadora que através da sua arte aproxima-se de sua ancestralidade e de sua origem territorial. Com obras com forte valor social e que retratam muito sobre a mulher negra, sua obra traz questões fundamentais acerca da vivência em um mundo primordialmente racista, que os deixa sempre à margem e da luta por um encontro com sua identidade. “Por isso, a arte tem uma forte importância na construção da subjetividade de alguém que é atravessado por esse racismo estrutural diariamente”. Assim, segundo a artista, “o resgate da autoestima e do senso de valor da história inspira pensadores e ativistas formando suas narrativas e criações, gerando um movimento que dribla à exaustão da luta diária pela existência e de não se entregar à tristeza de um mundo que os exclui e inviabiliza. A arte aparece como um movimento de encontro com simesmo, além de criar um espaço de possibilidades em ter sua voz cada vez maispotente”. Formada em Letras, com especialização em Estudos Brasileiros pela FESP-SP, Jess Vieira estuda e atua como Arte Terapeuta através do Instituto Junguiano da Bahia (IJBA). Sua pesquisa se distribui em séries que buscam a amplificação, canalização e confluência entre corpo (carne e fluídos), espírito, elementos arquetípicos e naturais relacionados a água (rio, mar) e os territórios imaginários baseados nos que viveu, e para tanto enreda como influências figuras como Nise da Silveira e Sônia Gomes eGeorgia O’Keefe, e elabora suas narrativas partindo do eixo RIO – MAR – TERRA VERMELHA, examinando a organicidade entre as relações humanas e como se aprofundam e se intercalam consciente e inconscientemente em uma linha de atravessamentos nutridos pelas águas e seus enlaces territoriais. Integrando diversas exibições coletivas e uma individual, bem como de mais de dez publicações, entre revistas, editoriais e livros, Jess Vieira apesentou em 2022 a individual No meu sonho, eu posso ser quem eu quiser, Galeria Periscópio, Belo Horizonte, MG, Brasil; e as Coletivas 2020 Irmandade Viva – Restauração Histórica:ancestralidade negra pela arte, Google e Museu Afro Brasil, São Paulo, SP, Brasil; Desejos para agora e para o futuro, Pátio Metrô São Bento, São Paulo, SP, Brasil; 2018 Ocupação de Lambes, Matilha Cultural, São Paulo, SP, Brasil.